ELVAS: Mariza a 15 de Abril no Coliseu

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O Coliseu José Rondão Almeida recebe no próximo dia 15 de Abril, a partir das 22 horas, o espectáculo que promove o quinto trabalho discográfico da fadista Mariza.

Depois de nove anos de viagens pelo mundo, Mariza regressa às origens com o seu "Fado Tradicional".

Este novo trabalho foi apresentado no final do mês de Novembro nos Coliseus do Porto e Lisboa, sendo Elvas a única data confirmada, até ao momento, no Alentejo. Em 2011, de acordo com o site oficial da fadista, a intérprete vai subir ao palco de países como Turquia, Polónia, Espanha, Finlândia, África do Sul, Holanda ou Suiça.

Há muitos anos que Mariza pensava gravar um disco de fados tradicionais. Na cabeça tinha a imagem do que fizera em "Fado em Mim" (World Connection, 2001), o primeiro disco da sua carreira, uma mescla de tradicionais com as sonoridades que marcariam os álbuns seguintes. Mas não sabia quando se atreveria a tal. "Em criança, disseram-me que eu era diferente, que cantava de outra forma." A constatação anónima continuava a ecoar dentro dela e o profundo respeito pela tradição mantinha-a afastada do projeto.

A digressão mundial de "Terra" (EMI, 2008), porém, precipitou a gravação deste "Fado Tradicional" (EMI, 2010). O viola Diogo Clemente desafiou-a inúmeras vezes. "Tenho de te ouvir cantar fado tradicional, não me chega só o 'Primavera' e o 'Alexandrino'", dizia-lhe repetidamente. O desafio foi aceite durante o verão, e o músico e letrista assumiu o papel de produtor.

Tinha chegado a hora. Não poderia ter sido antes de atravessar os universos musicais que constituem o seu próprio mundo. Uma viagem que não tem ainda data de término. "Passaram dez anos de discos. Adorei cada momento, cada concerto, cada aplauso, cada sorriso, cada lágrima. E sinto que estou mais velha, mais atenta, vivo a música de uma forma mais sustentável", explica Mariza. "Além disso, a candidatura do fado a Património Imaterial da Humanidade acontece agora. Faz sentido cantar tudo o que sempre respeitei no fado, faz sentido regressar à minha infância."

Porque é disso que se trata. Em "Fado Tradicional", a fadista deixou-se levar numa outra viagem, a dos sons, imagens e cheiros da meninice, escolhendo cada tema do novo trabalho "sentada algures na taberna dos meus pais na Mouraria". É lá que recupera 'Fado Vianinha', de Francisco Viana, 'Promete, Jura', celebrizado por um Artur Batalha no auge de carreira, e "antes de a vida lhe ter pregado uma partida", 'Rosa da Madragoa', de Frederico de Brito, num passeio em que ainda saúda nomes como João Ferreira-Rosa, António Botto, Fernando Pessoa, Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro. "A responsabilidade é muita, o respeito total e o aproveitamento nulo", garante.

A prova está na criação de espetáculos "intimistas e aconchegantes". A cenografia, criada a partir do projeto do arquiteto Frank Gehry para um concerto seu no Walt Disney Concert Hall de Los Angeles, tornará o palco na taberna da sua infância levada para uma rua de Lisboa, uma espécie de beco pontuado por mesas, onde o fado vai acontecendo. As salas onde a digressão passará depois do Porto e de Lisboa serão mais pequenas, mas receberão o espetáculo pelo menos durante dois dias. "Acabaram-se os Royal Albert Halls! Não se pode receber o fado tradicional de outra maneira. Ele é uma coisa de pele, uma vibração."